Edição 27 – Brasil rural – O café – Novembro 2025

Edição 27 – Brasil rural – O café – Novembro 2025

Introdução | Resenha do livro: Nhorrã | Filme: Carlota Joaquina – Princesa do Brazil (1995) | Ouro negro, uma paixão | Cafezinho de Dona Amélia | O gosto amargo do café | O café | A elite do atraso | Terra parada, terra plantada | Livros Indicados | Corpo Editorial | Escritores da Edição

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O Brasil é o maior produtor de café do mundo. A Coffea arabica, nativa da Etiópia, transformou-se em uma das commodities que mais transformou a paisagem e a sociedade brasileira. O café tornou o Sudeste o principal polo industrial e urbano do país. Também moldou costumes, como o hábito de consumir a bebida amarga e estimulante em vários momentos do dia. Quase todo o brasileiro adora um cafezinho.

Nesta edição, trataremos de alguns aspectos do ciclo do café – um pouco da história, da cultura e das consequências políticas dos “barões do café”. Tentamos dar vida e dinamismo a um tema que vemos superficialmente na escola. É preciso refletir sobre o fomos para que possamos decidir o que seremos.

Boa leitura!

Resenha do livro: Nhorrã, por Karine Souza e Pousas

O livro Nhorrã é uma narrativa cativante, ambientado no Brasil pré e pós-abolição, na transição entre o Brasil Império e República.

O romance retrata a perspectiva do povo escravizado. A narrativa sai do lugar-comum e nos leva para uma dinâmica que ora mostra a vida no eito, nos cafezais no vale do rio Paraíba do Sul, na região de Vassouras, RJ, onde a habilidade maior consiste em fugir do tronco e das chicotadas, e ora nos apresenta uma vida na cidade, em condições insalubres, onde a fome e os cassetetes da polícia substituem as sentenças antes proferidas pelos barões do café.

O escritor Marcelo Elo Almeida decidiu seguir um caminho brutal e bonito para guiar os leitores pelo cenário social da época: o de Cosme e Merenciana, duas pessoas escravizadas que veem seus destinos entrelaçados na Fazenda Santo Antônio.

Enquanto Cosme, nascido e criado na fazenda, tem um ar ingênuo e temperamento sonhador, Merenciana é mais experiente. Vinda de Salvador, ela conhece as artimanhas da vida, na mesma medida em que já sofreu em sua caminhada, principalmente pelos olhos, intenções e abusos dos homens.

Nhorrã é uma história sobre a liberdade. Enriquecida pela cultura de raiz africana, a saga nos presenteia com uma preciosa reconstituição histórica. Ao acompanharmos a labuta a eito do povo negro, conseguimos perceber uma elite em estado de tensão, prevendo sua queda com a ascensão de novos protagonistas.

Dividida em três partes, a narrativa nos permite não apenas rever a queda do Brasil Império sob a ótica de um povo oprimido, como traz, por meio de diálogos realistas e descrições vívidas, cenas importantes deste movimento, como a própria festa da abolição. Assim, temos a oportunidade de acompanhar a vida sôfrega nas fazendas de café, guiadas pelos conselhos de Pai Chico, mas também encontramos um cenário pós-abolição igualmente realista. Os mesmos protagonistas travam novas lutas, conhecendo os cortiços do Rio, adentrando a cultura da capoeira e se deparando com o racismo persistente e desumano.

Ao longo de todo o romance, temos causos, cantos, rezas e muitos diálogos que remontam o sincretismo religioso do povo escravizado. Afinal, foi preciso se unir nessas terras além-mar para preservar ao máximo sua cultura e a memória de narrativas ancestrais.

Nhorrã não é apenas um romance, e sim uma apresentação dos percalços e sofrimentos dos negros no Brasil, uma história protagonizada pelos mesmos, e que permanece sendo escrita até os dias de hoje.

Nhorrã
Autor: Marcelo Elo Almeida

Ambientado em uma fazenda de café do Vale do Paraíba e na cidade do Rio de Janeiro, o livro narra a história de Cosme e Merenciana durante a Abolição, mostrando a transição do Brasil do trabalho escravo para um estado “livre”, e revela as estratégias de sobrevivência e resistência da população negra entre a escravidão, o racismo e a violência. Nhorrã, que significa cobra em umbundo, simboliza a trajetória do povo negro, que se esgueira entre os chicotes da fazenda e os cassetetes da capital mantendo sua dignidade e ancestralidade. Elementos como jongo, candomblé e capoeira surgem como formas de resistência cultural contra o racismo brasileiro, devolvendo em forma de beleza, afeto e vida toda a opressão sofrida ao longo de séculos de escravidão. NHORRÃ: RASTROS, CAMINHOS E DESCAMINHOS DA ESCRAVIDÃO é fruto de muito estudo e escrito com profundo respeito à história do povo negro, sem perder de vista uma proposta política apresentando duas trajetórias individuais com amplo significado coletivo. Saiba mais…

Filme: Carlota Joaquina – Princesa do Brazil (1995), por Larissa Ciol

Em 2025, o filme “Carlota Joaquina, Princesa do Brazil”, da diretora Carla Camurati, completa 30 anos. É um marco significativo para a cultura brasileira, uma vez que o lançamento do mesmo marca a retomada do cinema nacional.

Carlota Joaquina é uma infanta espanhola (retratada brevemente pela atuação de Ludmila Dayer), prometida ainda criança ao príncipe português D. João VI. Como em qualquer casamento arranjado, há inúmeras discrepâncias temperamentais entre os cônjuges. Carlota (interpretada magistralmente por Marieta Severo) cresce, torna-se uma estrategista. Enquanto isso, seu marido (Marco Nanini) é um rei melancólico, indeciso.

A Europa encontrava-se sob égide de Napoleão Bonaparte. Ele ameaça invadir Portugal. Napoleão exige que o império português rompa relações comerciais com a Inglaterra, caso contrário, irá avançar com suas tropas. Acontece que os ingleses eram parceiros de Portugal há muito tempo, principalmente no tráfico de escravos para as colônias (detalhe omitido no filme). O que decide D. João? Nada! Fica chorando, desesperado, até que conselheiros reais resolvem que é melhor que a família fuja para o Brasil.

Quando aportam no Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro, capital na época, os brasileiros ficam decepcionados: a família real portuguesa chega em andrajos, cheia de piolhos. A princesa não era bonita como nos retratos. O rei, tampouco. A rainha mãe (Maria Fernanda) é louca! Mais pareciam caricaturas do que nobres governantes.

Aí é que o filme escorrega: Carla Camurati poderia ter explorado as diversas facetas de Carlota Joaquina, como a franca inteligência dela ou até a sua ambição em governar sem o marido. Porém, a diretora acabou extrapolando na caricatura. Exagera na proporção ao mostrar D. João VI como um canastrão e inveterado comedor de coxinhas de galinha, em vez de informar à audiência que o monarca abriu os portos às nações amigas, fundou o Banco do Brasil e criou o Jardim Botânico, por exemplo. Do mesmo modo, a própria Carlota é vista como uma ninfomaníaca que detestava o Brasil, bem como D. Pedro I (Marcos Palmeira), mulherengo e hedonista. 

O final, claro, nós sabemos: a famosa cena em que ela bate os sapatos e diz “dessa terra eu não quero nem o pó!” está presente. Ainda que com algumas cascas de banana pelo caminho, é uma bela produção, em que podemos vislumbrar a química fantástica entre Marieta Severo e Marco Nanini, tão cara aos brasileiros no seriado “A Grande Família”. O filme nos convida a um questionamento pertinente aos nossos dias: somos Carlota, que bate o sapato ao ir embora, ou optamos por ficar e dar o nosso melhor?

Carlota Joaquina – Princesa do Brazil (1995)

Direção: Carla Camurati | Roteiro: Carla Camurati e Melanie Dimantas
Elenco: Marco Nanini, Marcos Palmeira, Maria Fernanda
Título original: Carlota Joaquina – Princesa do Brazil

Um painel da vida de Carlota Joaquina (Marieta Severo), a infanta espanhola que conheceu o príncipe de Portugal (Marco Nanini) com apenas dez anos e se decepcionou com o futuro marido. Sempre mostrou disposição para seus amantes e pelo poder e se sentiu tremendamente contrariada quando a corte portuguesa veio para o Brasil, tendo uma grande sensação de alívio quando foi embora.
Saiba mais… (Adoro Cinema)
Saiba mais… (Wikipédia)

Ouro negro, uma paixão, por Igor Pires Leon

Os tempos eram de muita tensão, pois os franceses, ah, esses franceses de uma figa, queriam de qualquer forma tomar como sua a minha terra, o Grão-Pará. Jamais que eu, Francisco de Melo Palheta, Sargento-Mor do exército de Sua Majestade Dom João V, aceitaria ser um súdito do rei francês.

Foi de bom grado que eu aceitei a incumbência dada a mim pelo Capitão-General João da Maia Gama, de ir até a Guiana Francesa, como diplomata, para tratar de restabelecer as fronteiras fixadas pelo Tratado de Utrecht, assinado em 1713, que estava sendo violado pelos franceses. Ah, esses franceses!  Mas havia outra missão a ser cumprida, que me deixou ainda mais empolgado. Se alcançássemos o nosso objetivo, daríamos uma bela rasteira nos franceses, acabaríamos com o monopólio deles e mostraríamos o quão valoroso era um soldado de El Rei Dom João V.

Pois sim, eu era o homem capaz de trazer daquelas terras as benditas mudas de café, tão bem guardadas a sete chaves, protegidas por homens fortemente armados. Em poucos dias pus-me a caminho da Guiana Francesa, montado em um garboso cavalo, enfrentando os mais diversos perigos pela floresta do Grão Pará até atravessar a fronteira.

Com as roupas rotas, a barba por fazer e cheirando a suor, encaminhei-me sem mais demoras à sede do governo local. Um homem magro e encurvado, dizendo-se secretário do governador, recebeu-me friamente, olhando-me de alto a baixo, como se eu fosse um zé-ninguém e não um emissário da coroa portuguesa. Apresentei-lhe as minhas credenciais e uma missiva dirigida ao governador. O secretário disse-me que o governador não poderia me atender naquele dia, mas que talvez pudesse receber-me outro dia, outra hora. Preparei-me para esperar por dias.

Na taverna em que me hospedara, saboreei um delicioso café e assim, como quem não quer nada, fui perguntando sobre as plantações de café, onde ficavam, se eram extensas. Um oficial francês perguntou-me qual o motivo de meu interesse. Olhei para aquele homem alto e forte e disse-lhe que era meramente curiosidade, pois nunca havia visto um pé de café − o que não era mentira. Ele me lançou o pior dos olhares e pediu pra que desse o fora dali. 

O governador da Guiana Francesa, o senhor D’Orvilliers, dificultou ao máximo o nosso encontro. Afinal, eu estava lá para exigir que ele respeitasse as nossas fronteiras.

Enquanto esperava, perambulava aqui e acolá pelas ruas estreitas da cidade, sendo encarado pelos locais − alguns cuspindo à minha passagem. Perguntava a respeito das plantações de café, arriscando-me a ser apanhado. Ninguém respondia, olhavam-me com desconfiança, afinal, eu era um estrangeiro.

Foi numa dessas caminhadas que troquei olhares com uma mulher que me abriu um largo e encantador sorriso. Questionei a um vendedor ambulante quem era aquela e o homem disse-me que era a senhora D’Orvilliers, esposa do governador. “Esposa do governador… Interessante!”, pensei com os meus botões.

Para minha grata surpresa, fui recebido por ela quando fui chamado ao palácio do governador para tratar dos assuntos das fronteiras. Senhora D’Orvilliers foi muito gentil com a minha pessoa. Eu percebi que ela havia se encantado por mim. Joguei todo o meu charme para cima daquela mulher. O governador apareceu na sala e me encarou desconfiado. Era um homem taciturno, muito mais velho que a esposa, um nanico diante de mim. Sentamos, conversamos a respeito das fronteiras. Ofereceram-me um café, e eu aproveitei para assuntar sobre a produção de café, como era feita. “Qual o seu interesse, senhor?”, inquiriu-me o governador. “Meramente especulativo.”, respondi-lhe. “Pois fique sabendo que há muito em jogo, senhor Palheta, portanto…”, basta meia palavra para um bom entendedor.

Enquanto esperava por uma nova reunião, tomei a decisão de ir por conta própria ver uma plantação de café nas imediações da cidade. Embrenhei-me na mata, esgueirando-me para não ser percebido pela guarnição francesa. Um descuido e quase fui apanhado por um grupo de soldados que faziam patrulha no local. Gelei, meu coração parou na boca; se eu fosse apanhado era morte certa. Respirei fundo, tentei prosseguir, mas um novo grupo de soldados franceses passou a poucos metros. Tive que recuar.

Senhora D’Orvilliers e eu ficamos bons amigos. Enquanto a minha demanda não andava, eu ficava de conversa com ela. A pobre mulher estava entediada com casamento, o marido não lhe dava a devida atenção. Assim, nos tornamos amantes − eu não a amava, mas precisava alcançar o meu objetivo.

“Mas por que você quer saber tanto desse bendito café?”, perguntou-me numa tarde em que estávamos nos amando. Ela estava brava, cenho fechado. O que responder? Ela insistiu na pergunta. Novamente fiquei calado.

A questão das fronteiras não foi resolvida, nenhum dos lados cedia. Ficaria para uma próxima missão. Quanto ao outro assunto, eu já havia perdido as esperanças. Voltaria para o Grão Pará de mãos abanando.

Despedi-me da senhora D’Orvilliers, que chorou pela minha partida. Pediu-me para não partir, que permanecesse mais um pouco, que suas tardes não seriam as mesmas. Consolei-a, levando-a para o meu leito. “O que posso fazer para você nunca me esquecer, meu amor?”.

Quando estava me preparando para partir, senhora D’Orvilliers aproximou-se entre lágrimas, e estendeu um ramalhete de flores como lembrança dos dias felizes que eu havia proporcionado a ela. “Você vai sempre se lembrar de mim, meu amor.” Aspirei o perfume e estremeci. Olhei para um lado, para outro, certifiquei-me que o que estava vendo era realmente o que estava vendo.  Foi então que eu engoli seco, quase caí do cavalo literalmente ao ver entre as lindas flores que ela havia me dado, mudas e algumas sementes de café. Senhora D’Orvilliers colocara sua vida em risco para presentear-me com o que era mais precioso, mudas de café! Tudo isso por amor a mim!

Não quis ficar nem mais um minuto ali. Toquei o meu cavalo o mais rápido e fui-me embora, sem olhar para trás nem para os lados, com medo de alguém desconfiar de algo. O coração na boca, a respiração suspensa. Só fiquei sossegado depois que atravessei a fronteira dias depois. Um contentamento danado. Passamos a perna nos franceses. Ou vai por bem, ou vai por mal. Dessa vez foi por amor, amor com gosto de café.

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Cafezinho de Dona Amélia, por Rita Perez Germano

Dizem que certos costumes começam assim: com um gesto simples que, ao ser repetido, vira tradição. E foi exatamente isso que aconteceu quando Dona Amélia desembarcou por aqui; tão jovem, tão princesa, tão acostumada ao refinamento dos salões europeus. Amélia de Leuchtenberg, nome comprido que enche a boca, pedigree de quem tinha Napoleão no álbum de família, chegou ao Brasil com apenas 17 anos e um mundo de expectativas.

No Brasil de Dom Pedro I, o café já existia, mas ninguém por aqui imaginava que aquela bebida escura com cheiro de afeto pudesse ter vida além das manhãs. Café era desjejum – acompanhado de carne e legumes, em uma combinação que hoje faria qualquer nutricionista repensar o cardápio. Depois do almoço, a elegância era brindar com vinho do Porto, devagarinho, como quem saboreia o tempo.

Mas Amélia…Amélia tinha outra lógica. Lá na corte alemã, onde havia aprendido a ser princesa antes mesmo de aprender a ser mulher, o ritual era outro: após o almoço, quando o corpo implorava por um momento de descanso e a tarde ameaçava escorregar em bocejos, entrava em cena uma xícara de café bem forte, daquele que desperta até pensamento sonolento. Um convite à vida e ao riso.

E ela trouxe esse costume na bagagem junto com sonhos, saudades e aquelas manias que a gente guarda em silêncio. Bastou oferecer um cafezinho aqui, outro acolá, para que o palácio inteiro começasse a acordar depois do almoço com novas energias. As damas da corte, sempre atentas ao que era chique, logo se apaixonaram pela ideia. Afinal, quem não quer o charme de uma princesa no seu cotidiano?

E assim, sem discursos, sem decretos, sem convenções, o Brasil descobriu o prazer delicioso do “cafezinho da tarde”. Não como obrigação, mas como poesia líquida: aquele respiro gostoso entre uma atividade e outra, o intervalo que vira afeto. Porque café é isso: um encontro, mesmo quando se toma a sós.

Desde então, Dona Amélia não ficou apenas nas páginas formais da história. Ela está presente naquele gesto tão brasileiro de olhar para alguém e perguntar: –  Aceita um cafezinho?

E, nesse instante, sem perceber, repetimos um hábito que atravessou oceanos junto com uma jovem princesa, e que hoje aquece e energiza nossas tardes, nossas conversas, nossos dias inteiros. Um costume que nasceu real e virou popular, tão nosso quanto o açúcar que adoça a nossa vida.

Mas o açúcar é uma outra história….

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O gosto amargo do café, por Mayara Beani

E o porquê de os mineiros tomarem café melado

“Meu São Benedito, não deixe que nos falte o alimento, nem a nós, nem a nossa família” – essa foi a reza que a vó me ensinou a fazer toda vez que botar o café pra São Benedito. Ela punha sobre a geladeira, eu ponho no beiral da janela.

Dona Nena, minha avó, nasceu numa fazenda de café. Sua mãe saída da senzala, também. Seu pai João – só João mesmo, assim, sem sobrenome nem no registro – cresceu na casa grande, adotado pelo barão. Foi educado, aprendeu a ler, a assinar seu nome e a tocar bandolim.

Meu vô também era da colônia, família italiana, no melhor estilo “Terra Nostra” de ser. Assumiram as roças de café depois dos escravos libertos. As mãos eram diferentes, mas a lida era a mesma. Aos 12 anos já pilotava máquina, máquina grande de desmatar, de colher, de arar. Meu pai bebê dormia na sombra do cafeeiro enquanto a mãe dele trabalhava a terra.

Fotos de Mayara Beani

Todos ali cresceram debaixo de um pé de café. Mãos de bolhas da colheita e da enxada, a face queimada de sol, o nó na camisa pra espantar cobra… O café fez a história de muitos e a riqueza de poucos, devastou mata, devastou almas. Hoje, da vista da minha janela onde ponho o café de São Benedito, vejo parte dos 12,4% de Mata Atlântica que sobrou da devastação do café.

Dona de uma diversidade inigualável, nossa floresta cobria, originalmente, pouco mais de 1 milhão de quilômetros quadrados do território nacional, localizada ao longo da costa brasileira, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, estendendo-se por 17 estados. Ainda que em retalhos, abriga inúmeras espécies endêmicas, cadeias montanhosas e diferentes tipos de vegetação.

“Nascido” colônia de extrativismo, o Brasil viu nos seus primeiros séculos de vida a extração e consequente devastação de sua biodiversidade. Portugal tinha como único interesse especular, lucrar, gerar excedentes e enriquecer às custas da exploração do nosso território (ZEMELLA, 1950, p. 486).

Aproveitando-se do declínio das culturas de tabaco, algodão e cana-de-açúcar, o café tomou conta da economia brasileira em meados do século XIX, deslocando o polo econômico do Norte do país para as regiões Sul e Sudeste, onde encontrou um solo virgem e mais raso, moderadamente fértil, nem tão seco, nem tão úmido e ácido na medida certa; um clima perfeito com estações mais secas seguidas de momentos chuvosos, áreas de planalto com poucos ventos litorâneos, temperaturas ótimas entre 20ºC e 24ºC, não fosse a ganância e a falta de conhecimento.

Baseados nos três velhos pilares da economia brasileira:  a grande propriedade, a monocultura e o trabalho escravo, os barões do café do Sul e Sudeste devastaram milhares de hectares de floresta virgem para dar lugar à cobertura cafeeira. Destruíram a Mata Atlântica em duas etapas: 1) desmatamento para o plantio; 2) esgotamento e empobrecimento do solo por práticas extensivas de produção e extração do fruto.

Em resumo: derruba, queima, planta, consome a terra até o esgotamento e então, migra para um novo local, até que não haja mais o que desmatar. E assim chegamos aos quase 90% de extermínio de nossa Mata Atlântica, desabrigando uma fauna única e os povos originários: Guarani, Kaingang, Xocleng, Pataxó, Tupinambá, Tupiniquim, Krenak e Terena, menos de 20% da população total que já existiu, sugada pelo trabalho escravo e pela expropriação de suas terras.

Os barões não sabiam escolher a terra, nem manejá-la. Sequer sabiam usar os conhecimentos de quem sabia – se apropriaram da prática indígena da coivara (a ação do fogo na vegetação nativa existente na área para aumento dos nutrientes do solo a partir das cinzas). Só que faziam fora das épocas adequadas de queimada.

A decadência tardou, mas chegou. Os anos áureos do “ouro verde” viram seu fim em meados dos anos 1930, com terras exauridas, sangue, suor e sonhos perdidos. Mãos vermelhas, negras e brancas criaram o império do café, que originou as grandes metrópoles de hoje, a exemplo de São Paulo. O café moldou o país, mas nos deixou esse gosto amargo.

“Meu São Benedito, não deixe que nos falte o alimento, nem a nós nem a nossa família”. Em casa mineira é assim, não tem visita sem um cafezinho, “beeem” docinho. De amargo, já basta a história.

Referências
ZEMELLA, M. P. 1950. Os ciclos do pau-brasil e do açúcar. Revista de História, volume 1, número 4, p. 485- 494. São Paulo.

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O café, por Célia Félix

No silêncio da xícara, o tempo se dobra

Um gole desperta, a mente recobra

É mais que bebida, é rito profundo

Um grão que sustenta o pensar do mundo

Nas terras do Brasil, em vasta extensão

Brotou a riqueza, gerou tradição

Dos barões imponentes ao campo singelo

O café se fez história, amargo e belo

Na xícara pequena, cabe um universo

Entre aroma e sabor, se escreve o verso

O café é ponte do humano com o chão

Raízes e sonhos na mesma canção

Cada aroma pergunta: o que é existir?

Cada fumaça convida: é tempo de refletir

Entre o labor da terra e a grandeza do ser

O café nos ensina o que é renascer

Na borda da xícara, a filosofia mora

Um instante de vida a cada aurora!

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A elite do atraso, por Marcelo Elo Almeida

Uma reflexão sobre prática e representatividade

É sabido que, apesar de toda demonização pela qual a política passa diariamente, ela é a instância decisória da sociedade brasileira, através da qual os interesses sociais são positivados em lei e colocados em prática.

O jogo político faz-se de modo ideológico onde, muitas vezes, os interesses privados assumem ares mais amplos de interesses coletivos. A retórica, a propaganda e os lobbies são instrumentos amplamente utilizados pelo poder econômico para benefício das elites. Não é por outro motivo que existem tantos empresários e proprietários de terras no Congresso e nas Assembleias estaduais. Quando não são os próprios, são os seus representantes políticos que sobem nas tribunas.

Mas tal realidade política não tem origem na redemocratização pós golpe de 64. Ela remonta ao Império, quando, para conter rebeliões e revoltas no país recém-liberto de Portugal, foi criado o cargo de coronel e atribuído aos proprietários de terras, outorgando-lhes o poder político antes mesmo da institucionalização do voto regular. O termo coronel, tão usado Brasil afora ainda hoje, tem aí a sua raiz.

São Paulo, majoritariamente, e Minas, em menor escala, quando da chegada da República, perpetuam-se no poder. Muda-se o regime de monárquico para republicano, mas os ensejos representados continuam os mesmos. Utiliza-se amplamente o voto de cabresto e a fraude nos boletins de votação, além do voto repetido e da pistolagem, se preciso for. Foi necessário um golpe de Estado em 1930, levado a cabo pelas forças políticas excluídas do centro do poder, para que as velhas práticas fossem substituídas por outras.

Com a Proclamação e numa postura claramente anti-republicana, o direito do voto é negado às mulheres e aos iletrados. Num país onde 80% da população era analfabeta e mais ou menos a metade constituído de mulheres, o voto era um luxo. Foi necessário o fim da política do café-com-leite nos anos 30 e uma nova Constituição nos anos 80 (!!!) para que o voto se universalizasse, após um longo processo de luta pelo direito das mulheres e dos menos favorecidos expressarem sua vontade nas urnas.

Viveu-se após o fim do Estado Novo (de 1937 a 1945) um espasmo democrático que durou apenas vinte anos, com um suicídio presidencial no meio (Getúlio Vargas suicidou-se em 24 de agosto de 1954). Mais um período de ditadura militar-empresarial de 21 anos, até que valores democráticos e republicanos pudessem vir a ter alguma relevância no Brasil. Dois impeachments e um quase golpe em 2022 mostram que quando os eleitos não estão em sintonia com os interesses econômico-ideológicos dominantes, correm grande risco. Eles e a democracia.

Pode-se dizer que práticas democráticas só começaram a se consolidar com a Constituição de 1988. Mas ainda estamos longe de que essas práticas sejam satisfatoriamente representativas, onde os interesses da maioria venham a ser prioridade.

Compra de votos em comunidades, assassinatos de adversários políticos e loteamento territorial estão muito presentes em nossas eleições e que se perpetuam desde sempre, além do conluio entre crime e política. O trabalho é árduo, mas demonizar a política é o mesmo que entregá-la aos demônios.

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Terra parada, fome plantada, por Fernanda da Fonseca Pereira

Degola, voto a cabresto e curral eleitoral
na parte que cabe do latifúndio

No Brasil, temos de 40 a 50 milhões de hectares de terras agricultáveis subutilizadas, ou seja, terra produtiva, mas sendo usada com baixa eficiência. No Rio Grande do Sul, a estimativa é de 1,7 a 2,5 milhões de hectares de terras com baixa produtividade. A maioria das terras produtivas ociosas no Brasil, 95%, são de propriedades privadas e apenas 5% de propriedades do governo, ou seja, públicas.

Uma das razões para a subutilização da terra agricultável é a especulação fundiária. Considera-se que o valor da terra como ativo financeiro, na maioria das vezes, se aprecia mais rápido do que a renda gerada pela agropecuária. Dessa forma, muitos proprietários optam por manter a terra com o mínimo de uso, como pecuária extensiva, e vendê-la anos depois com alta valorização, ao invés de investir capital e trabalho para produzir. Há 33,1 milhões de pessoas sem acesso regular e suficiente a alimentos, em quantidade e qualidade, representando uma situação de insegurança alimentar grave no País[1].

Quando o latifúndio é mantido ocioso para especulação, se nega a sua função social, impedindo a produção de alimentos, a geração de emprego e renda para comunidades rurais, e se restringe o acesso à terra para matar a fome de milhões de mulheres, crianças e homens, que vivem do campo. Resta parafrasear Chico Buarque: a única terra parada destinada para matar a fome é uma cova bem grande para o pouco defunto, estando este mais ancho que estava no mundo, fazendo com que acreditem que é a parte que lhes cabe do latifúndio, como se fosse essa a terra a ser dividida[2].

Essa construção social, econômica e política do nosso país reflete o regime criado em 1889, onde passamos da ruptura entre a tendência centralizadora do Império para o pleno domínio dos fazendeiros no quadro político nacional. O descontentamento de um grupo de oficiais, insatisfeitos com o seu próprio status político e a situação do país, antagônicos à elite civil do Império, gerou a Primeira República e até 1894 o Brasil vivenciou a tutela militar. A partir daí, iniciou-se o primeiro governo civil da República e a ascensão do Partido Republicano Paulista, que buscava pacificar o país e garantir os interesses da elite cafeicultora de São Paulo.

O controle do governo federal era deliberado pelos estados de Minas Gerais e São Paulo, numa República onde a distribuição do poder era regulada pelo nível de importância para a hierarquização das unidades da federação. A força política de um estado se sustentava pelo tamanho do seu eleitorado e na consequente presença parlamentar. Nesse processo, as fraudes eram frequentes e aconteciam em todas as fases do processo eleitoral. Daí surge a “degola”, que significava o não reconhecimento do eleito pela Comissão de Verificação da Câmara de Deputados, procedimento que eliminava os adversários, anulando a sua eleição. O “voto a cabresto” representava um “ato de lealdade” do votante com o chefe local e, por fim, o “curral eleitoral” aludia ao barracão que mantinha os votantes sob vigilância, saindo dali apenas para depositar o voto, que recebiam num envelope fechado, diretamente na urna.

O coronelismo passou a representar um complexo sistema de negociação entre os chefes locais e os governadores dos estados com o presidente da República. O coronel assumia um dos elementos formadores da estrutura oligárquica tradicional, baseada em poderes personalizados e nucleados nos grandes latifúndios brasileiros. Dessa forma, a política brasileira é marcada por muitas trocas, favoritismos, empréstimos, negociações, repressão e pela exploração da mão-de-obra, que abarcava também os imigrantes que chegavam no país, ampliando a concentração de riqueza por meio da cafeicultura e concentração de terras.

Entre 1894 e 1930, as oligarquias paulistas e mineiras elegeram nove dos doze presidentes republicanos. Com a abolição da escravatura e as consequentes mudanças econômicas, esse mesmo grupo se transformou na elite industrial, marcando a continuidade do poder e a adaptação das formas de exploração e dominação, preservando os seus interesses. 

No cenário atual, as elites oligárquicas permanecem concentradas em diferentes regiões, especialmente no Nordeste, Norte e partes do Centro-Oeste, com influência política em todo o país. Ocupam cargos legislativos sendo deputados federais, estaduais e senadores, além de espaços importantes nos estados e munícipios, além do judiciário. Estima-se que mais de 70% dos parlamentares pertencem a famílias com tradição no poder oligárquico histórico do nosso país[3].  Aliado a isso, permanecemos com uma das maiores taxas de concentração fundiária do mundo[4], perpetuando a fome, a desigualdade social e econômica, bem como uma cultura política marcada pelo predomínio do patrimonialismo, coronelismo, clientelismo e exclusão, com pouca representação real dos interesses da maioria da população.

Enfim, mesmo com um cenário político marcado pela desigualdade, continuamos esperançando a força dos movimentos sociais, das mulheres, crianças e homens que vivem da terra e seguem lutando por dignidade. Mesmo que as cercas cresçam, que as terras sejam demarcadas pela imensidão do latifúndio, calando o múrmuro das sementes, pois o arame farpado não calará jamais o grito da aurora ocupada[5]!


[1] Fonte:  INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: 2022. Rio de Janeiro, 2022. 

[2] Canção “Música e Trabalho: Funeral de um Lavrador, de Chico Buarque.

[3] Fonte: OLIVEIRA, Ricardo Costa. Famílias tradicionais dominam a política brasileira. The Intercept Brasil, 01 set. 2018. Disponível em: https://www.intercept.com.br/2018/09/02/familias-tradicionais-dominam-a-politica-brasileira-e-isso-nao-tem-hora-pra-acabar/. Acesso em: 30 nov. 2025.

[4] Fonte: BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Agropecuário. Disponível em: https://www.ibge.gov.br. Acesso em: 30 nov. 2025.

[5] Parafraseando o Poema “SEM TERRA”, de Carlos Pronzato.

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Livros Indicados

Nesta edição, o cardápio dos livros está variado! Um romance sobre as complicadas relações entre uma mulher e sua antiga empregada doméstica, um delicado livro de poesias e uma bem-humorada seleção de crônicas. Para todos os gostos.

Os dias de sempre
Autora: Helena Terra

É um romance que aborda um tema doído para a sociedade brasileira – a herança escravocrata na relação entre empregador e empregada doméstica. Mariana sempre pensou que Nena era da família, até perceber que não era bem assim. É o confessionário de uma sociedade desigual, que busca encontrar o seu caminho.

Saiba mais…

Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha
Autora: Cora Coralina

Quase memórias, ou meias confissões como a autora prefere, Vintém de cobre reúne poemas ricos de experiência humana, escritos em tom simples e comunicativo, no lirismo quase de toada sertaneja, peculiar a Cora Coralina. Chamados de vintém de cobre, por malícia, são na realidade puras e autênticas moeda de ouro. Saiba mais…

Morrendo de rir
Autora: Elvira Vigna

Um dos nomes fundamentais da ficção contemporânea, Elvira Vigna foi também uma das vozes mais inteligentes e combativas do feminismo brasileiro. Morrendo de rir reúne, pela primeira vez, as dezenas de crônicas que a autora publicou entre os anos de 1999 e 2016 em veículos como O Estado de S. Paulo e a revista Pessoa. Na mira da cronista, as veleidades do ambiente literário, da política nacional, do meio editorial e do mundo das artes. Considerações sobre arte e economia, machismo e violência, literatura e acesso à leitura, relatos de suas itinerâncias como escritora, breves ensaios cômico-filosóficos, tudo numa prosa direta, contida e, ao mesmo tempo, hilariante. “Falo de feminismo e de machismo de preferência para mulheres, e isso por dois motivos. Porque homem é um bicho que não tem ouvidos sintonizados para o comprimento de onda da voz feminina, tendendo a delegar, no que nos diz respeito, o sentido da audição a outros órgãos do corpo, o que prejudica o nosso raciocínio. Saiba mais…

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Corpo Editorial

Daiane Carrasco Chaves

Editora

Daiane Carrasco
Oceanóloga. Escritora.

Instagram: @daiane_carrasco

Autora do Livro Ozzy & Johnny.

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Designer e Criação

Sérgio Fernandes
Consultor de T.I. & Terapeuta Corporal.

Instagram: @sehfernandes
Site: sehfernades.com.br

Autor do Livro Zé das Campas.

Designer

Larissa Ciol
Estudante de Engenharia de Alimentos.

Instagram: @larissaciol

Escritores da Edição nº 27 de 2025 – Brasil rural – O café

Karine Souza e Pousas
Escritora, Pedagoga, Comunicóloga e Ghostwriter

Instagram: @karinecsouza

Igor Pires Leon
Escritor

Graduado em História e Pós-Graduado em Cinema, é autor das seguintes obras:
Veludo Azul contos, pela Editora Nauta; As incoerências e insatisfações de um casal desapaixonado; O caso da mulher desaparecida; O toque do despertador pelo Clube de Autores.

editoranauta.com.br
clubedeautores.com.br

Instagram: @igorpiresleonescritor

Rita Perez Germano
Professora, Educadora e Escritora

Instagram: @ritapgermano

Mayara Beani
Jornalista, escritora e produtora cultural

Nascida no Grande ABC em 1987, teve seu primeiro trabalho publicado através do concurso de redação “Tirando de letra” (Ecofuturo e Companhia Suzano, 1999). Presente em diversas coletâneas e concursos de contos e poesias, publicou seu primeiro livro em 2017 – “Qui Qui – sobre livros e pássaros” (Editora Adonis, 2017). Cogestora do grupo “Encontro de Escritores”, promove a literatura na baixada santista através de feiras e oficinas literárias.

Instagram: @mayaramibeani
Autora no trema.com.br e no medium.com

Célia Félix
Escritora e Poetisa

Graduada em Pedagogia e Enfermagem.

Autora do livro “Relatos de um diagnóstico”- Da dor à superação (12/24)

Poemas publicados em quatro antologias.

Membro da Comunidade Efêmera Sintonia, no Instagram, onde apresenta as Lives.

Instagram: @celiafelixramos

Marcelo Elo Almeida
Escritor

Instagram: @marcelo.eloalmeida

Autor do Livro Nhorrã

Fernanda da Fonseca Pereira
Assistente Social com mestrado e doutorado em Política Social e Direitos Humanos.

trabalho com as comunidades da Zona Oeste do Município do Rio Grande, experiência que provocou a escrita do livro “Reincidência da Violência Contra Meninas e Mulheres Pobres do Município do Rio Grande/RS”. Desde 2014, escrevo no meu blog “Mulher Inteira” dando vida ao desejo pela escrita e reflexão política sobre o mundo, em que (sobre) vivemos. Enfim, sou mulher vinda da periferia, criança crescida em situação de violência, mãe atípica, Sacerdotisa de Umbanda e Mulher de luta e esperança.

Instagram: @fernandadafonsecapereira
Blog: mulherinteira.blogspot.com