Edição 11 – Ativismo Ambiental – Junho 2024

Edição 11 – Ativismo Ambiental – Junho 2024

Introdução | Resenha do livro: Mad Maria | Filme: Serra Pelada (2013) | Areia e Asfalto: Diálogos Poéticos | Partidos Verdes | Brasil Mata Quem Luta Pela Vida | A Relação Humanidade-natureza na Figura das Comunidades Tradicionais | A Importância da Biodiversidade | Livros Indicados | Corpo Editorial | Escritores da Edição

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Segundo uma lenda antiga, dos primeiros cristãos, um passarinho converteu Tomé. Jesus já era relativamente conhecido nos arredores do Mar da Galileia e um jovem sentiu-se instigado por aquele homem que pregava o bem e fazia milagres. Embora alguns de seus amigos tivessem tomado a decisão de segui-lo, o rapaz em questão (Tomé significa “gêmeo”, de modo que seu verdadeiro nome permanece desconhecido até hoje) tinha dúvidas. Certo dia, estando Jesus a pescar com os demais, Tomé apareceu.

— Gosta de pássaros, Tomé? – perguntou-lhe Jesus, enquanto abaixava-se e coletava um pouco de barro junto aos juncais.

— Sim, certamente que gosto. – respondeu-lhe desconfiado.

Então Jesus abriu as mãos, mostrou-lhe o pequeno pássaro esculpido em argila. Fechou-as, soprou-lhe vida. Abriu novamente as mãos e a ave saiu a voar.

— Veja, ele agora voa para longe! – exprimia alegria por seu milagre.

— Não, Senhor. O pássaro continua aqui! – ajoelhou-se e passou a seguir Jesus.

A vida de um mero pássaro foi o ponto de virada de um jovem. O milagre, a vida. Somos naturalmente impelidos para um senso de empatia, de cuidado, com o que nos cerca. Se perguntarmos a quaisquer pessoas na rua: “É importante cuidarmos do meio ambiente?” é muito provável que as respostas sejam inânimes no sentido de “Sim.” Então por que o senso individual da validação ambiental não prepondera?

Não é uma questão fácil de responder. As sociedades são complexas. Têm o que chamamos de “teoria dos valores,” nos quais os pesos da balança vão mudando em prol da sobrevivência, da subjugação de outros povos e de sua continuidade no tempo. Infelizmente, o meio natural acaba sendo o peso mais leve. Nessa edição, tentamos abordar o tema do ativismo ambiental em diversas facetas. Propomos uma reflexão sobre o papel cidadão nas pautas ecológicas contemporâneas.

Espero que os pássaros ainda convertam para o milagre da vida, em sua dimensão mais coletiva e solidária, e voem.

Resenha do livro: Mad Maria, de Márcio Souza, por Samuel Ferreira

Visceral. Mordaz. Revoltante. Violento. Selvagem. Imperialista. Disruptivo. O escritor Márcio Souza nos serve um entrevero[1] de sensações a partir de seu Mad Maria (1980). Na construção da narrativa que se passa no interior da Amazônia, pode ser tarde quando você se der conta de que assim como as personagens, você estará lacrado no emaranhamento de opressões, conflitos, assédios, condições análogas à escravidão, escassez de alimento, malária e escorpiões. Essa obra-prima que tem cheiro de carvão, ferro e borracha. O grande autor manauara faz questão de nos salientar que a morte se alimentava todos os dias de corpos de operários esgotados pela árdua façanha de estender um “tapete de ferro” para que uma locomotiva, apelidada de Mad Maria, deslizasse por dentro de uma inóspita e impenetrável Amazônia. Detalhe: esse “tapete de ferro” deveria ser estendido por grandes extensões de aclives, declives, 20 cataratas, mais de 200 milhas de pântanos e mata fechada. Ou seja, só esqueceram de combinar esse projeto megalomaníaco com a Floresta Amazônica.

O livro Mad Maria tem como plano de fundo a construção da ferrovia Madeira- Mamoré, a famigerada e fatídica “Ferrovia do Diabo” ou “Ferrovia da Morte”, empreendimento norte-americano, que surgiu após um acordo entre Brasil e Bolívia. Era o Tratado de Petrópolis de 1903, em que o mesmo discorria da compra e anexação do Acre ao território brasileiro. Como contrapartida, os “Estados Unidos do Brasil” se responsabilizavam pela construção de uma ferrovia que ligasse Porto Velho (atual capital do estado de Rondônia) à Guajará-Mirim, com um ramal em Vila Bela, na Bolívia. Estamos falando de uma estrada de Ferro de quase 700 km…

Alemães, barbadianos, chineses e norte-americanos estão juntos com brasileiros nesse empreendimento que sai do “nada para lugar nenhum”, e que se transforma em uma barbárie. Compreendemos mais uma vez o Brasil, como ainda região colonial, vítima da predação norte-americana e tendo sua natureza humana e não-humana como resíduo de uma predadora lógica capitalista.

Nesse poderoso romance histórico, embarcamos para o coração da Amazônia, no limite entre Brasil e Bolívia, junto com os personagens Collier, Finnegan, Caripuna e Consuelo, que nos inspiram humanidade dentro da desumanidade. Eles são centrais para o desenvolvimento da trama desta obra-prima, pois no fundo muito pouco do que é narrado das questões políticas, culturais e econômicas teria sido diferente.  Márcio Souza faz um trabalho excelente de levantamento histórico sobre mais um período fatídico da História Ambiental do Brasil: o ciclo da borracha.

Compreendemos também nesse livro que o capitalismo, “não tem vergonha de se repetir”, como afirmou Souza, e muito menos de se retroalimentar da degradação ambiental e social. Percebemos também neste relato mais uma faceta do Imperialismo Norte-americano, que sempre se beneficiou e lucrou com a exploração da América Latina, com promessas desenvolvimentistas, auxiliado sempre pelos grandes coronéis e capatazes do Brasil, disfarçados de representantes do povo.

Podemos afirmar que Mad Maria seria o Velho Oeste do Brasil, no seu sentido mais predador e violento. Nacionalidades entram em conflito, mosquitos são fatais, rios engolem pianos e a floresta engole sonhos e desejos gananciosos até mesmo de milionários norte-americanos barões brasileiros.

É leitura imprescindível para quem deseja entender o Brasil e principalmente a literatura brasileira. Escritoras e escritores de punho forte, que desejam escrever fazendo uso da veia crítica, precisam embarcar nessa “viagem” para um Brasil profundo, para uma Amazônia selvagem, onde a natureza é incontrolável. Mad Maria deveria estar incluído no programa escolar do Ensino Médio porque a anexação do território do Acre e o ciclo da borracha são totalmente desconhecidos da grande maioria dos brasileiros. Só poderemos reescrever a nossa história se nos apropriarmos dela. Mad Maria, certamente, é um belo começo.


[1] Prato típico da culinária da Região Sul do Brasil, de origem e influência espanhola, que mistura carnes de vários tipos, legumes e temperos de características fortes e apimentadas. Geralmente se faz a partir de sobras de churrascos e parrillas, servido bem quente, ao lado do arroz ou enfia-se tudo dentro do pão. É uma ótima comida caseira rápida, mas também é vendida nos arredores de estádios de futebol no interior do Rio Grande do Sul. [voltar]

Mad Maria
Autor: Márcio Souza

Mad Maria, obra-prima de Márcio Souza, ganha nova edição com capa e projeto gráfico novos.

Escrito em 1980, Mad Maria é o segundo livro de Márcio Souza, romancista, dramaturgo e diretor de teatro, e foi adaptado para a televisão em minissérie da Rede Globo em 2003. A narrativa se passa no interior da Amazônia e relata a construção da ferrovia Madeira-Mamoré entre 1907 e 1912. Na época, os investidores tinham o objetivo de construir uma estrada que pudesse competir com o Canal do Panamá. A ferrovia integraria uma região rica em látex na Bolívia com a Amazônia, mas, no caminho, encontraria obstáculos descomunais: muitas cataratas, milhas e milhas de pântanos e desfiladeiros, centenas de cobras e escorpiões, árvores gigantescas e inúmeros mosquitos transmissores de malária. Antes das obras chegarem ao fim, cerca de três mil homens estavam mortos, milhares hospitalizados e uma fortuna em dólares desperdiçada na selva. Saiba mais…

Filme: Serra Pelada, por Mara Bainy [by Me]

O que falar sobre um filme que relata um momento na história brasileira na qual eu tenho lembranças vívidas? Não lembranças de ter vivido ou tido qualquer interação com Serra Pelada, mas por ter presenciado as notícias oriundas daquele local que parecia tão longe e tão perto, e que na voz de Sérgio Chapelin do Jornal Nacional, era “a febre avassaladora que abocanhava o sonho dos garimpeiros”.

Serra Pelada era um morro que virou um buraco por causa do garimpo. Garimpo que era ilegal, mas que de uma forma ou de outra foi legalizado e milhares de brasileiros migraram para o Pará em busca da riqueza que o ouro trazia. Olhando de cima, como uma observadora natural, vemos os homens-formigas. Sim, um buraco repleto de homens carregando sacos de terra em suas costas, remetendo-nos à imagem de um formigueiro ativo e em plena expansão. Formigueiro humano, que, diferente das formigas, está ali para saquear, corromper, extorquir e extirpar. Não que o comportamento natural de um formigueiro seja diferente daquilo que idealizamos nas utopias das histórias infantis, mas a grande diferença é que no formigueiro a luta é por sua sobrevivência, e não para aplainar os egos humanos perante as riquezas douradas.

Quantos Joaquins e Julianos vimos presentes e caminhando lado a lado dentro daquele formigueiro enlameado? Joaquins na esperança de economizar o dourado do ouro na forma do papel moeda, para retornar ao seio de seu lar e de sua família. Julianos que queriam apenas o poder sobre os homens, extirpando a Formiga Rainha para se tornar o Rei. Quantos Joãos, Josés, Osvaldos, Nestores, que viram ali naquela pequena serra o seu refúgio?

O ouro, sempre o ouro. A degradação deste momento histórico vai muito além da ambiental. Há a humana. Homens submetendo-se aos seus egos decadentes e sem dentes, para tentar uma vida melhor. Há também as mulheres, que por não conseguirem ver além de seu analfabetismo humano, descobriram que seus corpos podiam ser vendidos por ouro, pequenas migalhas de gramas do dourado de seus sonhos infantis. Há a degradação política, que foi corrompida pela prata, sim, a cor prata do metal, estampada nos projéteis dos revólveres empunhados pelos capatazes disfarçados de seguranças. Um tiro de som seco ecoando pelas vielas dos inferninhos que os próprios garimpeiros alimentavam com o ouro. E, claro, a degradação ambiental, aliás, a maior degradação que se pode ver. Afinal de contas, a degradação mental dos homens e das mulheres é invisível, e se não se pode ver, para a degradação política, ela não existe.

A degradação ambiental transmutou um morro em um buraco. Ao longo dos doze anos de garimpo, Serra Pelada se transformou em uma cratera de mais de duzentos metros de profundidade. Muita terra foi tirada, muitas vidas foram soterradas, muitas árvores foram derrubadas, muitos animais viraram comida para os esfomeados. Hoje, duas décadas após a desativação do maior garimpo a céu aberto do mundo, vemos um lago. Mas não é um lago qualquer, ele é tóxico por causa do acúmulo de mercúrio, metal pesado e cancerígeno que se utiliza para separar o ouro das impurezas que o cercam. Tanta destruição para extrair aquilo que somente a raça humana julga ser puro.

Agora, vamos voltar ao filme de 2013 dirigido por Heitor Dhalia. Serra Pelada, o filme, nos conta a história de dois amigos de infância: Joaquim e Juliano e suas sagas em meio ao garimpo. Um filme que retrata as verdadeiras angústias e que coloca à prova uma amizade forte que ambos julgavam ser inabalável. No entanto, eu não consigo falar do filme e detalhar as emoções e os sentimentos que as personagens principais estamparam em suas falas e ações. Consigo apenas ter o olhar da espectadora ou observadora de dois homens comuns tentando viver a vida de dois homens grandiosos, mas que em seu inconsciente sabem que nunca pertencerão à elite que tanto almejam. Estas duas consciências, interpretadas pelos atores Juliano Cazarré e Júlio Andrade, se perderam em meio a tantas outras consciências que viveram e morreram neste espaço de terra. As imagens reais das reportagens e dos homens-formigas impressionam pela veracidade. É um filme que deveria ser transmitido nas escolas. A ficção imbuída em suas falas é mais verdadeira do que toda a mítica que envolve Serra Pelada e seus anos de garimpo.

Serra Pelada, filme de Heitor Dhalia (2013).

Juliano (Juliano Cazarré) e Joaquim (Júlio Andrade) são grandes amigos que ficam empolgados ao tomar conhecimento de Serra Pelada, o maior garimpo a céu aberto do mundo, localizado no estado do Pará. A dupla resolve deixar São Paulo e partir para o local, sonhando com a riqueza. Só que, pouco após chegarem, tudo muda na vida deles: Juliano se torna um gângster, enquanto que Joaquim deixa para trás os valores que sempre prezou. Saiba mais… (Adoro Cinema).

Areia e Asfalto: Diálogos Poéticos por Rita Perez Germano

Dica: leia ouvindo “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos”, na voz de Caetano Veloso.

A cidade acorda e, com ela, desperta o asfalto. Cinzento e intransigente, ele se estende sob meus passos apressados e ritmados, um tapete áspero que dita o ritmo rápido de minha vida. Cada manhã, ao sair de casa, sinto o concreto frio contra meus pés calçados, aprisionados em uma realidade gritante de que a vida, muitas vezes, é uma corrida sem fim sobre superfícies duras.

E apesar de essa rotina diária ser a realidade da minha vida, em algum lugar escondido dentro de mim, existe a memória da areia. A areia fina e macia das praias da infância, onde os pés descalços podiam explorar o mundo com a liberdade de quem ainda não conhece as pressões do tempo. Na areia, cada passo é uma conversa íntima entre a terra e a pele, uma dança de texturas que o asfalto jamais poderá oferecer.

Meus pés descalços têm uma sabedoria própria. Eles conhecem o prazer de se afundar suavemente na areia, sentindo cada grão acomodar a pele, moldando-se aos contornos dos dedos, descansando sob a maleabilidade da vida e esquecendo que somos seus habitantes apressados, em busca disso, em busca daquilo, em busca de.

O asfalto é feito para ser percorrido rapidamente, sem desvios, sem pausas. É o caminho dos compromissos, das obrigações, das metas a serem alcançadas. O asfalto não permite o borrifar de uma contemplação; ele exige movimento constante. É eficiente e implacável, eu sei. E por mais que nos guie, nos suporte e nos alicerce, ele não substitui o abraço gentil da areia.

Não quero que esse texto seja uma dicotomia que coloca o asfalto de um lado e a areia de outro, como num tribunal em que um veredito será dado. Só quero dizer que os pés descalços nos convidam a desacelerar, apreciar, sentir… que mesmo que as construções na areia sejam efêmeras, e que a ruína seja iminente, eu preciso dessa pequena obra de arte maleável como um registro temporário da minha existência ali naquele momento. O registro de cada passo meu acolhido pelo tapete dourado de grãos, que me abraça lindamente, me diz que, sim, é preciso desacelerar, apreciar cada passo, sentir as delícias de se perder num tempo em que o relógio é somente “a casaca dourada e inútil das horas”, como nos conta Mario Quintana.

Não quis, mas fiz dessas linhas um espaço de disputas entre a areia e o asfalto; então, escolho caminhar descalça sempre que posso, permitindo que cada passo suave borde delicadezas em mim. Porque a vida, em sua essência, é feita de momentos descalços, onde a suavidade da areia me embriaga, lembrando que, apesar de tudo, ainda sigo tecendo lindos fios de sonhos que me permitem sonhar.

Partidos Verdes, por Daiane Carrasco

A ideologia política dos partidos verdes brasileiros se origina na chamada “aliança verde”, que deriva do Partido Verde Alemão (fusão do Die Grünen, fundado em 1980 e do Bündnis, de 1991), atualmente chamado de “Grupo dos Verdes”. A aliança verde foi balizada nas ideias hippies e pacifistas dos anos 70, conjuntas aos grupos ambientalistas surgidos nessa década, como o Greenpeace (1971) e o Sea Shepherd Conservation Society (1977). Prega o desenvolvimento sustentável, expansão dos programas de renda básica cidadã e previdência social, sociedades multiculturais, com integração de imigrantes e respeito às identidades sexuais, reestruturação do sistema educacional, com escolas abrangentes e inclusivas.

O Grupo dos Verdes surgiu como uma corrente filosófica de intelectuais progressistas após a queda do Muro de Berlim, e foi ganhando espaço no cenário político alemão. Os mandatos de 1998, 2002 do vice-chanceler Joschka Fisher e de 2021 da Ministra das Relações Exteriores Annalena Baerbock colocaram o Partido Verde Alemão na elite do poder. Mas e aqui no Brasil? Por que as legendas verdes não arrebatam votos nas urnas?

Examinemos mais de perto. Assim como na Alemanha, temos dois partidos: o Partido Verde (PV) e o Rede Sustentabilidade (Rede). As pautas parecem boas, bem intencionadas, mas são problemáticas.

O Partido Verde, o PV, por exemplo, tem o voto facultativo no seu programa partidário. Não é preciso ser nenhum gênio para concluir a quem o voto facultativo beneficiaria no nosso país. As minorias deixariam de se dirigir às urnas, bem como políticos poderiam se beneficiar ao incentivar seus currais eleitorais a votar em detrimento do livre-arbítrio dos eleitores de seus opositores. Além disso, a ênfase em temáticas que parecem muito distantes da população, como “questionamento da hegemonia neoliberal e do paradigma produtivista do século XIX” afastam potenciais eleitores, mesmo os mais politizados.

O Rede Sustentabilidade, por outro lado, encampa causas comuns aos partidos de esquerda. Porém, a Rede quer abraçar inúmeras frentes, de saneamento básico a “democratizar a democracia” e acaba perdendo o foco. Atualmente, o Rede conta com o deputado federal Túlio Gadelha e com a Ministra do Meio Ambiente Marina Silva, sua fundadora, ambos relativamente influentes, tanto na Câmara dos Deputados como no Executivo Federal. Entretanto, a dispersão ideológica faz com que a Rede pareça uma “legenda fantasia”, que defende tudo mas é incapaz de efetivar nada, não cativando o eleitorado jovem, por exemplo, mais antenado nas causas ambientais.

Outro fator que contribui para o naufrágio dos partidos verdes é o “estar em cima do muro”. Em ambos os casos, ao se ler os respectivos estatutos, percebe-se claramente uma sobreposição comum aos partidos declaradamente esquerdistas, como o PC do B, o PSOL e até mesmo o PT. Porém, em termos de projetos de lei e demais proposições práticas, as bandeiras levantadas pelos verdes estão desconectadas de pautas econômicas importantes.

Um caso clássico é a matriz energética do Brasil. Ora, é fácil defender o uso de fontes renováveis para o país e temos realmente um potencial infinito para energia eólica, solar e hidrogênio verde. Porém, não há articulação dessas legendas com o empresariado para o incentivo do emprego de tais tecnologias, muito menos com pastas estratégicas do governo, como o Ministério de Minas e Energia e da Ciência e Tecnologia. Nem falo aqui do Ministério da Fazenda! Assim, a atuação fica restrita ao mais do mesmo, como “diminuição do desmatamento” e um desenvolvimento sustentável utópico, que nunca chega.

Ainda há o baixo letramento ambiental dos brasileiros. Diferentemente do povo alemão, que na reunificação alemã pós Guerra Fria simpatizou com causas ecológicas, aqui o buraco é mais embaixo. É difícil se preocupar com o mico-leão-dourado enquanto se procura um pão para comer. As grandes desigualdades sociais do país, as diferenças regionais e o mito da eficiência do agronegócio empacam o avanço das causas em prol do meio ambiente.

Embora grandes líderes tenham saído das bases populares, como Chico Mendes e o casal José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, criou-se o halo de que quem defende floresta não tem mais o que fazer. É a lástima da falta de disseminação do conhecimento científico: as pessoas se comovem quando uma tragédia ambiental acontece, como no caso das enchentes no Rio Grande do Sul, mas são incapazes de fazer conexões com o desmantelamento de leis protetivas, queimadas, desmatamento e mudanças climáticas. Se não há senso crítico, não há pressão popular. Sem pressão popular, segue passando a boiada…

Brasil Mata Quem Luta Pela Vida por Cristiano Landgraf

Chico Mendes, assassinado em 22 de dezembro de 1988. Dorothy Stang, ativista ambiental, assassinada em 2005. Maxciel Pereira dos Santos, colaborador da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), morto em 2019, Paulo Paulino Guajajara, conhecido como Lobo Mau, assassinado em 1º de novembro de 2019, era um guardião da floresta, responsável por fiscalizar e denunciar invasões na mata. Em 2020, o indígena Ari Uru-Eu-Wau-Wau, de 34 anos, denunciava extrações ilegais de madeira dentro da aldeia. Original Yanomami, de 24 anos, e Marcos Arokona da mesma idade, foram mortos em conflito com garimpeiros no mesmo ano. Reginaldo Alves Barros e Maria da Luz Benício de Sousa, casal de trabalhadores rurais, morto no dia 18 de junho de 2021. Maria da Luz era ativa em movimentos sociais em defesa do direito à terra e era suplente da direção do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR). Dom Phillips e Bruno Araújo, assassinados em 2022. Esses são apenas alguns casos de execuções no Brasil contra ativistas, militantes, trabalhadores rurais, indígenas, jornalistas, religiosos, quilombolas, etc.

Todos os citados tinham mais de um ponto em comum, mas o principal é a luta pela vida, pela humanidade. Afinal, lutavam pela preservação ambiental, pela utilização sustentável da natureza e por justiça social. Chico Mendes é o mais conhecido internacionalmente. Mas antes do assassinato de Chico outros ocorreram. Muitos deles sem registro oficial ou reconhecimento da verdadeira causa. Machado de Assis costumava dizer que existem dois Brasis, o oficial e o real. No oficial, o Estado brasileiro luta contra a devastação ambiental, sedia eventos da ONU e protege os ativistas. Mas é no Brasil real que essas mortes acontecem. E é no Brasil real que desastres ambientais causados por grandes corporações, como Brumadinho e Mariana, seguem impunes.

A catástrofe mais recente, as enchentes no Rio Grande do Sul, demonstrou o quanto a natureza se revolta e busca se reequilibrar devido à ação predatória da sociedade capitalista sobre os recursos naturais, visando o lucro e a exploração de mão-de-obra barata. Não vivemos no capitalismo selvagem, e sim no capitalismo predatório. Pessoas são assassinadas, rios são mortos, florestas sofrem genocídio e animais silvestres são expulsos de suas casas e caçados por diversão.

É um equívoco pensar que esses desastres ambientais começaram há algumas décadas atrás. Já no começo da invasão portuguesa, o pau-brasil foi quase extinto devido à sua exploração usando a mão-de-obra indígena. Certamente os assassinatos tiveram início nessa mesma época. Há tempos temos mártires da floresta.

O Brasil carrega o triste título de campeão de assassinatos de ativistas ambientais. Em 2022, ficamos em segundo lugar, atrás apenas da Colômbia, com 60 ativistas mortos, contra 34 no Brasil. Entretanto, na década entre 2012 e 2021, o título é nosso: foram 342 mortes no país, cerca de 20% do total das 1733 mortes de ativistas ambientais no mundo. E dessas mortes 85% foram na Amazônia, sendo a maioria das vítimas indígenas e negros. Esses dados são da ONG Global Witness do Reino Unido.

Afinal, por que o Brasil é líder em assassinatos de ativistas ambientais? O Estado brasileiro sempre foi comandado e comprometido com as elites econômicas. Mesmo antes de ser Brasil “independente”, os interesses da elite vigente sempre contaram com a proteção do Estado. Conforme o ciclo econômico, uma elite se impunha e comandava o Estado através de governos fantoches. Seja o ciclo do açúcar, do ouro, do café, da indústria, do agronegócio, etc. A defesa do capitalismo faz parte da institucionalidade nacional, estadual e municipal. Assim, os ativistas ficam totalmente expostos a ações criminosas de grileiros, pecuaristas, garimpeiros e milícias rurais.

Mesmo que as ações não sejam orquestradas diretamente pelo Estado brasileiro de forma institucional, a falta de ações concretas contra esses setores criminosos acabam dando um sinal verde para a eliminação de ativistas. Tudo que se impõe ao interesse de exploração do capital é criminalizado, seja constitucional ou clandestinamente. O que leva à total falta de proteção dos ativistas. E isso não é incompetência de gestores e administradores públicos – são projetos de setores que lucram com a exploração não sustentável do meio ambiente em uma ação predatória.

Trata-se de pura hipocrisia política quando vemos presidentes, governadores, prefeitos, deputados, senadores, vereadores declararem sua preocupação com a causa ambiental, indígena e quilombola. A prática é o critério da verdade. As mortes dessas pessoas, muitas vezes simplificadas como estatísticas da violência no país, são a prova da ineficiência do Estado brasileiro em dosar o capitalismo com suas consequências ambientais. São raízes seculares e históricas que corroboram com o genocídio de nossos ativistas. Já profetizava-nos Chico Mendes: “Ecologia sem luta de classes é jardinagem”.

Referências
https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2022/09/29/brasil-e-lider-em-mortes-de-ambientalistas-na-ultima-decada.ghtml
https://www.pstu.org.br/meio-ambiente-a-hipocrisia-do-imperialismo-e-a-diferenca-entre-discurso-e-pratica-de-lula
https://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2022-06-15/casos-assassinatos-ativistas-ambientais-brasil.html
https://www.pstu.org.br/meio-ambiente-a-hipocrisia-do-imperialismo-e-a-diferenca-entre-discurso-e-pratica-de-lula
https://sintrajufe.org.br/assassinatos-de-ambientalistas-aumentaram-no-brasil-em-2022-pais-e-o-segundo-mais-letal-do-mundo

A Relação Humanidade-natureza na figura das Comunidades Tradicionais por Paulo Câncio

Todo ser humano depende da natureza para sobreviver. Isso se evidencia no ar respirado, na necessidade de água, na alimentação, na matéria-prima para vestuário e em outros exemplos, muitas vezes, vistos como algo já garantido com o qual não é necessário se preocupar. É comum a natureza ser considerada como um aspecto à parte da vida que concorre com prioridades pessoais, empresariais ou governamentais. A sociedade, em geral, precisa amadurecer o relacionamento com o meio ambiente. Esse amadurecimento evidencia-se em comunidades cuja sobrevivência é intrínseca à preservação ambiental.

As colônias de pescadores tiram sua subsistência, principalmente, da pesca direcionada ao consumo familiar e ao mercado local. Entendem a necessidade de uma atividade pesqueira consciente que leve em conta as fases da lua e das marés, os períodos de reprodução para determinar quando e onde pescar. Atuam também na manutenção da restinga, depósitos arenosos que abrigam flora e fauna, compondo um ecossistema na transição entre o mar e o continente. O conhecimento dos pescadores é fruto da observação, do compartilhamento de informações entre seus pares e entre gerações e da intuição –  sua vida integrada à natureza favorece uma expansão de consciência. Esse meio de subsistir é dificultado pelo aumento da população urbana, pela caça de animais silvestres, pela construção de rodovias, pelo aumento de tráfego, por queimadas, pela invasão dos oceanos, pela especulação imobiliária – muitos desses aspectos fazem com que as comunidades pesqueiras cheguem a ser encaradas como obstruções ao interesse governamental e/ou de grandes empresas.

As populações ribeirinhas tiram sua subsistência da pesca, do extrativismo vegetal, da agricultura sustentável e do turismo. Vivem sob um modelo socioeconômico herdado dos indígenas. Produzem joias a partir de recursos naturais como palhas, minérios e sementes. Suas rotinas de vida e de trabalho oscilam com o ciclo dos rios. Vivem em casas de madeira sustentadas por estacas que suportam ficar submersas nas épocas de cheias. Celebram rituais e festas religiosas em busca de dar significado e razão à existência. Cuidam bem da fauna e da flora. Defendem o território contra invasores como garimpeiros e madeireiros. Não têm acesso a serviços de saúde e a saneamento básico. Com frequência são vítimas de desnutrição. A falta de apoio governamental contradiz o decreto 6.040/2007 que reconhece essas comunidades como patrimônio imaterial.

As comunidades indígenas são os povos originários do Brasil e tiveram um papel importante em sua formação social, cultural e territorial do país. Seus territórios são os lugares mais preservados do mundo graças a seu conhecimento da flora e da fauna e à sua conexão com a natureza, oriundos do respeito à ancestralidade e de um sentimento inato de pertencimento à terra. Entretanto, o governo é lento na demarcação de terras e ineficaz em garantir o direito à propriedade das terras já demarcadas que são, com frequência, invadidas por grileiros, madeireiros e garimpeiros.  Atualmente, muitas comunidades indígenas têm uma integração parcial à sociedade branca, capitalista e urbana para ampliar seus meios de sobrevivência, como através de feiras onde vendem seus artesanatos.

A grande ironia é que as comunidades tradicionais vivem à margem da sociedade contemporânea e, ao mesmo tempo, são agentes e modelos de preservação ambiental e da autoconexão tão necessária ao bem comum, inclusive para aqueles que os veem como entrave ao progresso.

A Importância da Biodiversidade por Kike Cárcamo

A biodiversidade, ou diversidade biológica, refere-se à variedade de vida no planeta Terra, incluindo ecossistemas, espécies e genes. O Brasil ocupa quase metade da América do Sul e é o país com a maior biodiversidade do mundo. Abriga mais de 20% do total de espécies conhecidas. São mais de 116.000 espécies de animais e mais de 46.000 espécies vegetais catalogadas no país, espalhadas pelos seis biomas terrestres e três grandes ecossistemas marinhos.

Nenhum outro país no mundo possui tamanha riqueza natural. E não estou me referindo apenas à Floresta Amazônica, maior floresta tropical úmida do mundo, ou ao Pantanal, maior planície inundável. Temos também o Cerrado, com suas savanas e bosques; a Caatinga, composta por florestas semiáridas; os campos dos Pampas e a floresta pluvial da Mata Atlântica. Precisamos lembrar que o Brasil possui uma costa marinha de 8500 km, que inclui ecossistemas como recifes de corais, dunas, manguezais, lagoas, estuários e pântanos.

A biodiversidade é o maior patrimônio estratégico de um país. É através da colheita e pesquisa de extratos de plantas, venenos de vespas, cobras e escorpiões que surgem os remédios que curam doenças. Em 1992, o Brasil sediou a ECO 92 – Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), realizada no Rio de Janeiro. Lá foi estabelecida a Convenção de Diversidade Biológica – CDB, da qual o Brasil é signatário. Desde então, uma série de compromissos têm sido assumidos pelo Brasil como forma de trabalhar, principalmente, os três pilares da CDB: a conservação da diversidade biológica, o uso sustentável da biodiversidade e a repartição justa e equitativa dos benefícios provenientes da utilização dos recursos genéticos.

As mudanças climáticas e a ação predadora do ser humano ligaram o alerta para o perigo de vermos, em pouco tempo, a diminuição da biodiversidade em todos os continentes. Duas em cada cinco plantas estão ameaçadas ou em risco de extinção. O sentimento de insegurança levou os cientistas a criarem iniciativas que podem mitigar as transformações que o planeta está passando. Uma delas é a criação de bancos de sementes.

Um banco de sementes ou banco de germoplasma é um local onde são mantidas condições adequadas para conservar amostras de sementes de diferentes espécies de plantas (silvestres ou cultivadas). O objetivo é claro: assegurar a preservação do maior número possível de plantas para a posteridade. As amostras de sementes são preservadas em condições de umidade, temperatura e luminosidade estáveis. “A maioria das plantas no mundo produz sementes que podem manter sua viabilidade após a secagem e o congelamento”, diz um documento da rede europeia ENSCONET (European Native Seed Conservation Network).

Além de armazenar sementes de diferentes espécies, um banco de sementes tem outra função muito importante: desenvolver variedades mais resistentes. Os pesquisadores estão procurando criar novas variedades adaptadas às mudanças climáticas. Existem cerca de 1.500 bancos de sementes ao redor do mundo, incluindo o Svalbard Global Seed Vault, localizado na remota ilha norueguesa de Spitsbergen, no arquipélago de Svalbard, cerca de 1.300 km ao norte do Círculo Ártico. É considerado o maior centro de germoplasma do mundo. Também conhecido como “cofre do fim do mundo”, este edifício que parece de um universo distópico foi inaugurado em 2008 no meio do gelo e funciona como um enorme armazém onde são conservados mais de um milhão de amostras de sementes.

O Brasil tem o quinto maior banco de conservação de sementes em longo prazo: o Banco Genético da Embrapa (BGE), localizado em Brasília, na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, unidade responsável pela viabilização de soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação em recursos genéticos para a sustentabilidade da agricultura brasileira. A Embrapa Hortaliças mantém atualmente cerca de 25 mil amostras de sementes de diversas espécies e origens, obtidas a partir de intercâmbio com outras instituições, coletas e introduções. O Banco Ativo de Germoplasma é reconhecido como um dos mais importantes para espécies de interesse para os trópicos.

Apesar da importância dos recursos naturais que o país possui, o que se vê é a falta de interesse político em investir na formação de botânicos, zoólogos, microbiologistas, sem falar nos especialistas em sistemática e taxonomia. Só que sem conhecermos as espécies que temos em território nacional jamais poderemos inferir sua função ecológica e eventuais possibilidades. É um investimento de longo prazo, pois não se forma um taxonomista da noite para o dia, mas necessário e imprescindível para um país que abriga um quinto da biodiversidade do planeta.

Livros Indicados

Um poeta barroco no século XVII vivendo amores e desventuras em Salvador. A criação da zona franca de Manaus. Uma heroína encarando os perigos do mundo após sobreviver a um terremoto no Peru.

Já conhecia essas histórias? Não?
Então leia os livros recomendados da edição!

Boca do Inferno
Autores: Ana Miranda

Livro de estreia de Ana Miranda que lhe valeu o prêmio Jabuti de melhor autora revelação de 1990.

Salvador, final do século XVII. Nessa cidade de desmandos e devassidão desenrola-se a trama de Boca do Inferno, recriação de uma época turbulenta centrada na feroz luta pelo poder que opôs o governador Antonio de Souza Menezes, o temível Braço de Prata, à facção liderada por Bernardo Vieira Ravasco, da qual faziam parte o padre Antonio Vieira e o poeta Gregório de Matos. Com uma linguagem rica e precisa, e uma narrativa de extraordinária agilidade, Ana Miranda trabalha em filigrana os pontos de contato entre ficção e história, mostrando em todo o seu vigor a vida de homens e mulheres dilacerados entre o prazer e o pecado, o céu e o inferno. Saiba mais…

Cinzas do Norte
Autor: Milton Hatoum

Cinzas do Norte, terceiro romance de Milton Hatoum, é o relato de uma longa revolta e do esforço de compreendê-la. Na Manaus dos anos 1950 e 1960, dois meninos travam uma amizade que atravessará toda a vida. De um lado, Olavo, de apelido Lavo, o narrador, menino órfão, criado por dois tios mal-e-mal remediados, que cresce à sombra da família Mattoso; de outro, Raimundo Mattoso, ou Mundo, filho de Alícia, mãe jovem e mercurial, e do aristocrático Trajano. No centro das ambições de Trajano está a Vila Amazônia, palacete junto a Parintins, sede de uma plantação de juta e pesadelo máximo de Mundo. A fim de realizar suas inclinações artísticas, ou quem sabe para investigar suas angústias mais profundas, o jovem engalfinha-se numa luta contra o pai, a província, a moral dominante e, para culminar, os militares que tomam o poder em 1964 e dão início à vertiginosa destruição de Manaus. Saiba mais…

Maria Altamira
Autor: Maria José Silveira

Maria Altamira narra a emocionante trajetória de mãe e filha: ainda que as duas sigam caminhos distintos, ambas testemunham miséria, injustiças e devastação ambiental. Em 1970, um terremoto provoca o soterramento da cidade de Yungay, no Peru. Uma das poucas sobreviventes é Alelí, jovem que perde os pais, os irmãos, o namorado e a filha. Em choque, parte sem rumo, percorrendo vários países da América do Sul. Numa das paradas, conhece Manuel Juruna, que se encanta com ela e a leva para a aldeia do Paquiçamba, na Volta Grande do Xingu, Pará. Alelí quase encontra a paz na nova vida: quando está prestes a dar à luz um filho de Manuel, ele é encontrado morto, vítima de um pistoleiro contratado por madeireiros da região. Saiba mais…

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